Projeto em audiovisual capacitará comunidades ameaçadas por obras da Copa de 2014

No último dia 3 o Projeto Olho Mágico – Educação Audiovisual em Mídias Móveis – e o Comitê Popular da Copa de Fortaleza, no Ceará, lançaram o projeto De olho na cidade – educomunicação para o fortalecimento da luta em defesa do direito à terra urbana. O objetivo é capacitar em produção audiovisual as comunidades Aldacir Barbosa, Trilha do Senhor e Barroso, ameaçadas de remoção pelas obras da Copa de 2014.

Para apresentar o projeto e marcar o lançamento, ocorreu o seminário Vídeo: comunicação, arte e política, no Centro Social Urbano (Avenida Borges de Melo, 910) e roda de conversa com o produtor Philipe Ribeiro, o realizador audiovisual, Hugo Pierot, e a integrante do Comitê, Helena Martins. Também serão realizadas oficinas de hip-hop, criação de blog, fanzine, entre outras.

Roger Pires, um dos coordenadores do Projeto Olho Mágico, explica que a intenção do projeto é, a partir do audiovisual, auxiliar as comunidades a mostrar suas realidades, memórias e histórias de lutas para que ganhem visibilidade e fortalecer as resistências. “A gente quer que essas comunidades chamem a atenção da sociedade e que as pessoas vejam que ali, mesmo sendo desconhecido, tem vida e história e, justamente por isso, não deve haver remoções”, argumenta.

Em outro plano, Roger considera que a produção em audiovisual funcionará como uma forma de fiscalizar os processos para as remoções. “As comunidades poderão documentar como isso vai ser feito, o local para onde o governo quer mandar as pessoas, as indenizações oferecidas”, disse.

O projeto, contemplado em edital do Fundo Brasil de Direitos Humanos, dispõe de 25 mil reais para aquisição de equipamentos e terá três fases, contando com equipe de 15 oficineiros voluntários. Serão constituídos três núcleos comunitários, cada um com turmas de 20 pessoas.

A primeira fase consiste em curso de vídeo, de 72 horas/aula, durante três semanas. Já na segunda fase, os moradores terão tempo livre para produzir material audiovisual e os encontros com os oficineiros, agora para acompanhamento, serão mais espaçados. Para possibilitar a produção, cada núcleo receberá 500 reais mensais, durante os três meses desta fase. Por fim, a terceira etapa será a apresentação do que foi produzido, com uma mostra aberta, que tem data prevista para março de 2012.

De acordo com Roger, a ideia do projeto surgiu da identificação política do Projeto Olho Mágico, composto por três comunicadores, com a luta das comunidades. “Nós já tínhamos trabalhado voluntariamente com as comunidades do Trilho, em 2009, e na época já circulavam boatos sobre as remoções. Depois, decidimos nos somar ao Comitê Popular da Copa e a melhor forma que encontramos de participar foi ensinando o que a gente sabe fazer, que é trabalhar com audiovisual”, conta.

Para auxiliar na estruturação dos núcleos comunitários, o Comitê Popular da Copa está recebendo doações de equipamentos – câmeras digitais, celulares e computadores usados.

Fonte: Adital

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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