Transmissão direcional, mas com alto ganho em todas as direções

Postado por Amanda MedeirosTexto de Antena Farol

Rádios comunitárias não serão totalmente acomodadas na faixa de FM, essas faixas de frequência são muito lotadas nas áreas urbanas dos Estados Unidos e esse tipo de argumento também é válido para o Brasil. Assim, será necessário buscar novas frequências para a radiodifusão local, a faixa de frequência mais promissora é a SHF (3-30 GHz) são altíssimas frequências, estão bem acima das FMs e TVs VHF e UHF.

Esta banda de freqüências é levemente usada e tem uma enorme capacidade para acomodar comunicações, incluíndo milhares de rádio locais. Nesta faixa, transmissores de pouca potência, mas utilizando alto ganho de antena. São faixas de alto direcionamento de transmissão, ou seja, você pode alcançar uma grande distância na direção de apontamento da antena, mas pouquíssimos metros em qualquer outra direção. Esta comunicação, muitas vezes é referida como a comunicação “lápis feixe”, mas não é uma escolha natural para a transmissão omnidirecional ( em todas as direções) usadas pelas emissoras.

Como levar a transmissão a todas as direções com igual alcance ?

Um feixe de lápis pode ser convertido em um sistema de transmissão omnidirecional utilizando um feixe de rotação. A antena de alto ganho de transmissão é montada para que ela possa ser continuamente girada de uma forma semelhante a um indicador de posição do plano (PPI) da antena do radar. O feixe de ondas de transmissão “pintaria” a área geográfica em volta como um farol eletrônico.

Protocolo do Farol

A rádio comunitária poderia transmitir pacotes de programas digitais para os receptores, cada receptor armazenaria os pacotes ( digitais ) e reproduziria o material do programa para o ouvinte. A estação usaria um protocolo onde o mesmo conjunto de pacotes deve ser repetido para cada feixe de largura em torno dos pontos da bússola.

Por exemplo, se a antena de transmissão tem 10 graus de largura de feixe,teria que transmitir 36 repetições do conjunto de pacotes, cada repetição estaria em uma direção diferente para cobrir os 360 graus. Os receptores de rádio iriam colocar os pacotes juntos (bufferizando) e em seguida os reproduzindo para os ouvintes. Isso causaria um pouco de retardado em relação ao tempo real, mas isso não seria um grande problema para a maioria das aplicações de transmissão de bairro, é muito semelhante ao delay de webrádios, seria como ouvir uma rádio com 7 segundos de atraso, e isto só seria percebido caso o ouvinte resolvesse ouvir seu futebol, ouviria então o grito de gol com estes 7 segundos de atraso em relação a uma rádio analógica.

Transmissão de bairro

A faixa de freqüência nas proximidades de 60 GHz é desejável porque a atmosfera absorve fortemente a esses sinais transmitidos, isto irá limitar cada emissora para um único bairro ou comunidade de tamanho modesto, o mesmo canal pode ser reutilizado em uma comunidade próxima sem nenhum problema de interferência. Essa absorção dos sinais é forte o bastante que você poderia ter várias reutilizações de um canal, como exemplo em uma única área metropolitana, como a área da cidade de Nova York, teríamos a possibilidade de ter 1000 microestações comunitárias. Aqui, finalmente, você tem um sistema de transmissão de vizinhança que pode ser usado em áreas urbanas densas, este é um contraste a limitação das existentes FMs comunitárias, que tem sido limitadas em grande parte para as áreas rurais por preocupações da lotação do espectro que ocorrem problematicamente nos grandes centros.

Problemas de propagação

É claro que esta nova tecnologia terá alguns desafios técnicos e de desenvolvimento, tais como a propagação, é muito mais um processo como a luz, então de forma semelhante tem o alcance da visão humana, folhas das árvores podem absorver os sinais, como resultado, seria desejável este serviço com antenas de recepção ao ar livre, acima da linha do telhado , isto poderia entrar em conflito com as proibições generalizada de antenas externas por associações de condomínios. Qualquer regulamentação teria que abordar essas regras privadas e seu impacto negativo sobre esta nova oportunidade de transmissão.

Esta foi uma tradução por RNRádio do que argumenta Nickloaus Leggett*, texto original em inglês na revista Radio World. Nickolaus Leggett é  técnico em eletrônica, analista e inventor. Ele possui três patentes nos EUA. Ele foi um dos peticionários para o rádio FM de baixa potência  LPFM ( FM comunitária nos Estados Unidos).

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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