Catálogo reúne 450 filmes desde ditadura até democracia argentina

Entre outras “pérolas”, o catálogo inclui um filme de propaganda só divulgado em quartéis enquanto paramilitares matavam e sequestravam ativistas políticos, disse à Agência Efe a pesquisadora Marcela Visconti, da ONG Memória Aberta, que coordenou a recopilação com seu colega Esteban Garelli.

Também se destaca um filme sueco que arranhou a imagem do regime em um festival de cinema em 1979, um ano após a Argentina sagrar-se campeã da Copa do Mundo em casa durante um período em que milhares de pessoas tinham desaparecido ou estavam em prisões clandestinas submetidas a torturas, apontou.

Sob a lógica da estreita censura e repressão política, a ditadura militar reduziu a cinematografia argentina a uma generalidade de temas banais, com elogios às forças de segurança e aos valores conservadores, comentou Marcela.

Toda a filmografia argentina de “denúncia” dos crimes da ditadura foi rodada no exílio, como é o caso de “Las AAA son las tres armas” (Perú, 1977), dirigida por Jorge Denti e que narra os vínculos do regime com o grupo de extrema-direita Aliança Anticomunista Argentina, a “Triplo A”.

Os filmes estão catalogados por cronologia e ordem alfabética, assim como por cerca de 20 temas que vão desde “a favor do regime” até “filmes da transição democrática”, passando pelas categorias “busca por verdade e justiça”, “artistas, perseguição e censura” e “vitimados”.

Marcela assinala que entre os filmes a favor do regime há vários cujos diretores se desconhecem por terem usado pseudônimos, enquanto outros tiveram coragem de desafiar a censura mediante referências “ocultas ou nem tanto”.

Na pesquisa para criar o catálogo, foi “um grande achado” o filme “Estoy herido…ataque!” (1977), só divulgado nos quartéis, obra de “Federico Alegre”, “cineasta” que dirigiu um grupo de atores desconhecidos para narrar um “heroico” combate com a guerrilha no norte da Argentina, indicou.

Como contrapartida, aparece o filme sueco “Murallas de la libertad” (Frihetens murar), de 1978, dirigido por Marianne Ahrne, que narra a vida de uma artista argentino no exílio e cuja existência era desconhecida no seu país de origem.

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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