Artigo “RÁDIO E CONVERGÊNCIA: Uma abordagem pela economia política da comunicação”

Confira o artigo “RÁDIO E CONVERGÊNCIA: Uma abordagem pela economia política da comunicação” de Luiz Artur Ferraretto (Professor do Centro de Ciências da Comunicação da Universidade de Caxias do Sul [UCS]) e Marcelo Kischinhevsky (Professor-adjunto da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ] e do Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro [PUC-Rio])

Resumo: Reflexão a respeito das novas lógicas de produção, comercialização, distribuição e consumo de conteúdos radiofônicos em um ambiente de convergência midiática. Para compreender o impacto da internet e de tecnologias a ela relacionadas, parte-se do processo anterior de adaptação do rádio à televisão. Considerase que a expansão do veículo rumo a novas plataformas, ao reconfigurar as práticas comunicacionais, traz em si movimentos contraditórios, acelerando a concentração, mas permitindo o surgimento de novos agentes, de pessoas físicas a conglomerados – do setor de telecomunicações, notadamente – sem experiência no setor. Deste modo, analisa-se o novo lugar do rádio, indústria cultural que hesita entre as irradiações em ondas eletromagnéticas e a multiplicidade de oferta de conte-údos e de canais de difusão do novo mundo digital. Estuda-se, aqui, o chamado rá-dio comercial, centrando-se o foco em quatro âmbitos: (1) tecnológico, (2) empresarial, (3) profissional e (4) de conteúdo.

O que é rádio? A pergunta soou óbvia, para leigos ou pesquisadores, até o advento da internet. Há, é claro, outras tecnologias que integram o processo de convergência, mas a ascensão do computador como meio de acesso a conteúdos sonoros – informativos e/ou musicais – tem peso relevante. Hoje, década e meia após a chamada world wide web ter adquirido feições comerciais e, cada vez mais, massivas,  a questão reveste-se de importância tal que respondê-la aponta caminhos para a sobrevivência do meio e de sua utilização como negócio dentro da economia de teor capitalista. De fato, há que associá-la não só à tecnologia, mas a um quadro mais amplo. A definição da radiodifusão sonora e o reposicionamento do meio dela decorrente ocorrem em um contexto no qual se faz necessário refletir sobre quatro âmbitos básicos: (1) tecnológico, (2) empresarial, (3) profissional e (4) de conteúdo. Deste modo, pretende-se, aqui, contribuir para a compreensão das novas lógicas de produção, comercialização, distribuição e consumo de conteúdos radiofônicos em tempos de convergência, em plena vigência do que Valério Cruz Brittos define como fase da multiplicidade da oferta. Utilizada de início para a área de televisão (BRITTOS, 1999), na qual a modalidade por assinatura ampliava, então, de modo exponencial, a oferta de canais, a ideia de que tal fase constitui-se em realidade vigente em todo o setor de comunicação dá bem a dimensão do dilema dos radiodifusores quando se completa a primeira década do século 21. Cada conteúdo concorre com todos os outros, independente de ter finalidade massiva – a irradiação de uma emissora comercial nos mais diversos suportes (ondas médias e curtas, frequência modulada, via internet ou em um canal de áudio na TV paga) – ou não – uma web radio hipersegmentada ou um programa em podcasting. Como já demonstrado em outra oportunidade (BRITTOS, 2002/ FERRARETTO, 2007, f. 5-6), tem total validade para o rádio essa transposição do que o pesquisador da Universidade do Vale do Rio dos Sinos descreve para a TV: a) verifica-se uma passagem de uma lógica de oferta a uma lógica de demanda, presente, por exemplo, na oferta, via internet, de arquivos com gravações de material já transmitido ou na constante participação do ouvinte pelo telefone (por voz, ao vivo ou gravada, ou por mensagem escrita), correio eletrônico, redes sociais, chats etc.; b) ocorrem manifestações de transição do modelo de comunicação ponto-massa, usado por todas as estações de rádio que transmitem em ondas hertzianas, para o ponto-ponto, pró-prio dos conteúdos disponibilizados no sistema de podcasting a comprovar uma ainda latente flexibilização, por este viés, na forma do consumo de conteúdos sonoros; c) multiplicam-se ações empresariais no sentido de disponibilizar o conteúdo radiofônico nos mais diversos suportes tecnológicos (computadores, notebooks, palm tops, MP3 players, celulares…); d) com base no que o professor da Unisinos afirma a partir de escritos de Juan Carlos Miguel de Bustos (BRITTOS, 2006, p. 33-4), identifica-se, também, a exemplo do verificado com a TV, uma sinergia do rádio com outros meios dentro de um mesmo grupo empresarial.

Continue lendo: http://compos.com.puc-rio.br/media/g6_luiz_arthur_ferraretto_marcelo_kischinhevsky.pdf

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Sobre André Araújo

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