Uma tomografia das redes sociais – Por Alex Medeiros

Artigo de Alex Medeiros, d’O Jornal de Hoje

Estudo mostra que na elite dos usuários do Twitter ou Facebook,
não é a quantidade de followers que define influência e popularidade.

Não são poucos os estudiosos das novas tecnologias da informação que apontaram as redes sociais como um espaço aonde repercussão e influência são supervalorizadas por opiniões puramente metafísicas, sem um aprofundamento científico.

Já publiquei aqui resultados de algumas análises que decifraram o mito do Twitter e do Facebook, por exemplo, em que ficaram claras as diferenças entre “quantidade” e “qualidade”, que, aliás, existem em todas as atividades humanas.

Agora, um minucioso estudo da Universidade de Cornell (EUA) e do portal Yahoo! conclui que nas 110 milhões de mensagens postadas diariamente no Twitter há o predomínio de uma diminuta elite de super-usuários que representa 0,01% da rede.

Segundo a pesquisa, que será debatida nas próximas semanas na Conferência Internacional World Wide Web, na Índia, o Twitter é dominado por não mais que 20 mil twitteiros que atraem as atenções de 50% de todos os milhões de usuários.

Isto significa exatamente aquilo que venho dizendo aqui em Portfolio, no meu site Alexmedeiros.com e nas minhas páginas do Twitter, Facebook e Quora: não é a quantidade de seguidores que gera influência, mas a capacidade do “retweet”.

Os chamados super-usuários conseguem influenciar e gerar opinião graças a particular configuração das redes sociais, que não exige reciprocidade. Cada internauta elege quem quer seguir, como quem sintoniza os canais de televisão que bem quiser.

É na qualidade ou criatividade do retweet que se dá a grande diferença entre celebridades com milhões de seguidores e pessoas comuns como, por exemplo, jornalistas, escritores e professores. Estes acabam repercutindo mais na rede.

“No caso dos famosos, se poderia dizer que muita gente os têm sintonizados, mas prestam pouca atenção e suas mensagens são lentas”, diz o professor de tecnologia da informação, José Manuel Noguera, em entrevista a um jornal espanhol.

“Cantores e atletas são o tipo de usuários que na realidade carecem de visibilidade, mas não têm capacidade para mobilizar seus seguidores diariamente”, afirma Noguera, que ensina na Universidade Católica Santo Antonio de Murcia, na Espanha.

Para Shaomei Wu, responsável pelo estudo do Yahoo! e da Universidade de Cornell, muitos campeões de seguidores não estão na elite dos super-usuários, pois suas postagens quase sempre são de ordem pessoal, sem necessidade de retweet na rede.

São a interação e a relevância das mensagens os principais motivos que garantem a repercussão. Há casos clássicos de celebridades com milhões de seguidores, que só começaram a repercutir após trocar impressões com todos.

Seguir famosos é tão somente um ato de admiração e de necessidade de sentir-se íntimo do ídolo, mas não significa popularidade. Ter 1 milhão de seguidores, sem ganhar retweets, é como ficar estático numa vitrine. Todo mundo vê, mas não há interação.

“Neste sentido, a verdadeira influência se mede pela força dos laços que se estabelecem entre usuário e seus seguidores. Mas também por variáveis como o número de retweets”, diz o cientista político Gonzalo Caro durante apresentação do estudo.

“Os mais retuitados conseguem produzir informação de qualidade e desempenham um papel de distribuidor de conteúdo”, continua Gonzalo. “Há famosos seguidos por exércitos de usuários que não têm a menor influência e qualquer prestígio”.

Para Daniel Romero, do Centro de Matemáticas Aplicadas de Cornell, a popularidade não deve ser medida pela quantidade de seguidores, que não implica em influência e vice-versa. “O que dá audiência é o grau de interação que provoca o retweet”, diz.

Bernard Huberman, diretor de computação da HP, afirmou que é mínimo o grupo de usuários que dominam os “trending topics” e que profissionais dos grandes grupos de comunicação, como CNN, New Yotk Times e BBC, operam nas redes com o claro objetivo de atingir os picos da virtual audiência. E isso se reproduz em escalas menores pelos países e cidades.

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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