Artigo “Comunicação comunitária: A experiência da Rádio Blackout FM”

Confira o não tão atual, porém muito interessante artigo “Comunicação comunitária: A experiência da Rádio Blackout FM”, de Elen Pagan Lima, Leandro Bollis, Paulo Silas Corte Fonseca e Rodrigo José Cezarin.

Comunicação comunitária: A experiência da Rádio Blackout FM
A comunicação comunitária é um tema que volta a tomar amplo espaço nas discussões sobre comunicação social e fenômenos da sociedade, tendo em vista o grande processo de globalização e a eminente necessidade de se conhecer, antes do que é global, os fenômenos locais.

Neste artigo procuraremos esclarecer as dúvidas sobre o tema, os conceitos sobre comunidade, a importância e a influência na vida política e social, baseados em modelos e opiniões teóricas e no exemplo prático de nosso objeto de estudo, uma rádio comunitária.

Abordaremos também problemas na constituição e na manutenção de uma mídia comunitária, e as dificuldades de discernir os veículos populares daqueles que se escondem atrás de rótulos comunitários objetivando outros interesses.

Conceitos e contribuições da comunicação popular

O conceito de comunicação comunitária, também conhecido por comunicação popular, possui como aspecto central a busca pela democratização dos meios de comunicação social e a necessidade de melhor conhecimento das características locais.

Com o advento da globalização, muitos estudiosos viam o fim da comunicação comunitária. Porém, talvez pela própria força da globalização em só mostrar questões de âmbito universal, as pessoas voltaram a se interessar e necessitar de assuntos sociais mais próximos, que dizem respeito ao bairro, à cidade ou à região onde vivem.

Segundo Valmir Maia, para um mundo globalizado o desenvolvimento da co-municação local é extremamente importante. “É mais fácil entrar em contato com o resto do mundo do que com a Amazônia; isso deve ser resolvido na comunicação. Desenvolvimento local só é forte globalmente quando é forte localmente”.

Porém, o tema “comunidade” é muito complexo, com várias vertentes e diferen-tes manifestações. Muitos assuntos são intitulados como questões comunitárias sendo que muitas vezes não os são. E daí surge a necessidade de um estudo mais aprofundado do que é comunidade e, entendendo-se isso, dos tipos de manifestações comunitárias propiciadas pela mídia.

Comunidade não diz respeito apenas a um pequeno grupo de objetos – ou pessoas – em comum ocupando um determinado espaço limitado. O conceito de comunidade subentende uma proximidade e elos entre os membros, que muitas vezes não se limita a ligações geográficas. Um exemplo claro disso são as comunidades “virtuais”. Grupos que se reúnem em sites ou fóruns na Internet e que, apesar de viverem em comunidades físicas diferentes, compactuam de mesma opinião, ideologia, necessidade.

Segundo Cicília Peruzzo, o nível de participação popular é fundamental pra de-finir o envolvimento das pessoas e, conseqüentemente, a melhor mostra de comunicação comunitária. Os níveis mais elementares dizem respeito, basicamente, a recepção de informações. Porém, quando o envolvimento se dá em um nível mais engajado, começamos a entender o conceito de “busca pela democracia”, apresentado no começo deste artigo. “[…] O participante, além de contribuir formulando conteúdos, tem o poder de atuar no processo de decisões relativas aos conteúdos dos meios e à sua gestão” (PERUZZO, 2003, p. 248).

Com relação ao conteúdo das ações de comunicação comunitária, segundo Cicí-lia, houve uma alteração ao longo dos anos. Enquanto num estágio anterior seus conteúdos eram marcados por reivindicações encabeçadas pelos movimentos sociais populares, hoje busca-se o conhecimento de temas mais abrangentes, como forma de entendimento e aprendizado da própria comunidade, e não somente reivindicação de direitos.

A complexidade de se entender e definir comunicação comunitária acaba, muitas vezes, distorcendo o objetivo de buscar necessidades locais e se maquiam sob outros interesses, com intenção de tirar vantagem da situação. Temos,

[…] por exemplo, a existência de meios de comunicação que se dizem comunitários, mas que de fato servem a outros interesses – políticos eleitorais, religiosos, financeiros e personalísticos. Tais desvios podem prejudicar a noção de comunitário diante das pessoas de uma localidade, mas refletem as contradições da sociedade em que vivemos (PERUZZO, 2003, p. 249).

Mas dificilmente encontra-se uma saída para esses problemas. Ainda que na concessão de emissoras de rádio e televisão comunitária haja certa cobrança, os trabalhos de fiscalização são pequenos, e muitas vezes as ações dessas emissoras são disfarçadas. E quando falamos de mídia impressa, então, pode se esquecer. Primeiramente porque não há censura e, em segundo lugar, porque os jornais são livres para manifestar suas opiniões.

Os maiores problemas encontram-se naqueles que se dizem comunitários mas que, por trás, têm sim interesses iguais, ou até maiores, que os jornais comerciais. Neste caso, cabe mesmo ao público ter o discernimento e perceber quando as informações estão sendo tendenciosas e se escondem atrás do espaço comunitário para tentar impor ideologias e opiniões que não refletem, em momento algum, os interesses de determinada comunidade.

Continue lendo no link original (clique AQUI).

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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