Artigo: Comunicação Comunitária como ferramenta de articulação popular

Por Audrey Fernandes

A comunicação é uma característica fundamental da vida em sociedade, é através dela que homens e mulheres se colocam em contato uns com os outros, tanto individualmente como em grupos. Os processos de comunicação são sempre dotados de intencionalidade, estão de uma forma explícita ou não, carregando e difundindo “mensagens”, que trazem consigo um conjunto de idéias e de intenções, visões de mundo, mais ou menos complexas.

Neste sentido, os grandes meios de comunicação se caracterizam como transmissores de visões de mundo, que pela grande área de abrangência que possuem, conseguem atingir muitas pessoas, impregnando-as com idéias, necessidades e desejos que nem sempre correspondem à suas realidades.

A comunicação comunitária pode significar uma alternativa em relação a esta hegemonia de construção e circulação da informação, protagonizando outros vetores de produção e disseminação de conteúdos, democratizando os meios de comunicação. Este tipo de ação comunicativa tem como característica identificar, pautar e transmitir assuntos de interesse de pessoas e grupos da comunidade em que está inserida, de forma a realizar uma comunicação muito próxima dos receptores das informações. Em função disso, as mensagens têm um grande potencial, podendo incentivar a participação dos moradores na solução de seus problemas, servir às suas reivindicações, valorizar a cultura local e resgatar a história e as tradições da região.

As diversas experiências de comunicação comunitária espalhadas pelo Brasil têm contribuído para uma maior apropriação das técnicas de produção jornalística, radiofônica e televisiva, das estratégias de relacionamento público e das tecnologias de comunicação por parte de populações e movimentos populares. Também têm significado instrumentos de fortalecimento e meios de atingir os objetivos propostos por grupos com intenções sociais, como melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento educativo-cultural, preservação e recuperação ambiental, ou ainda políticas, como a luta pela garantia e ampliação dos direitos civis.

Um exemplo de uso da Comunicação Comunitária

Em São Carlos, interior de São Paulo, o Projeto Água Quente, coordenado pela ONG Teia – casa de criação e patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental da Petrobras, desenvolve ações de requalificação socioambiental na Bacia Hidrográfica do Córrego do Água Quente, uma bacia hidrográfica urbana. O Projeto desenvolve ações de educação ambiental, mobilização e comunicação comunitária na região.

O eixo de comunicação comunitária idealizou o Boletim Comunitário Água Quente, que hoje encontra-se em sua 10º. edição. Além do boletim o eixo desenvolve outras ferramentas como fanzines, spots de rádio, entre outros, com o objetivo central de promover a articulação e o engajamento dos grupos organizados e da população da região, em torno da busca de soluções conjuntas para os problemas socioambientais da bacia.

O Boletim é construído através da participação dos Agentes Comunitários do Projeto e de outros moradores e grupos da região. Sua produção leva em conta não apenas as especificidades cotidianas dos bairros ali localizados, mas também a escala mais ampla das dinâmicas recentes de transformação do meio ambiente, disseminando informações e potencializando a reflexão crítica a respeito de questões relacionadas à temática ambiental.

A intenção destas ações é, através da produção e disseminação de conteúdos, colocar em contato as diferentes iniciativas existentes nos bairros da Bacia, de forma a possibilitar a troca de experiências entre os grupos, potencializar a ação de cada um, além de contribuir na articulação de um coletivo de grupos que atuem com comunicação na bacia.

O desafio é encarar a comunicação comunitária como uma ferramenta, que pretende contribuir para despertar nos evolvidos a capacidade de pensar com clareza sobre o poder que um conjunto de grupos pode emanar por ele próprio, exercendo seus direitos e deveres individuais ou coletivos. É com base nisto, que esta e outras ações do Projeto vem realizando trabalhos para articular, mobilizar e fortalecer as organizações locais, sobretudo no que diz respeito à sua representatividade e capacidade enquanto sujeitos políticos, sociais e ambientais.

Texto produzido por Audrey Fernandes – Jornalista: audreyfs@hotmail.com

Nota da Editora Berenice Adams: Audrey é a mais nova integrante da equipe da revista. Atualmente desenvolve trabalhos como jornalista para duas instituições de São Carlos, a ONG Ramudá http://www.ramuda.org e o Projeto Água Quente http://aguaquente.teia.org.br Ambos com atuação na área ambiental. O Projeto Água Quente, que é coordenado pela ONG Teia – casa de criação e financiado pelo Programa Petrobras Ambiental, desenvolve trabalhos de Comunicação Comunitária com um grupo de agentes comunitários na área de atuação do Projeto, e constantemente busca outros meios para divulgação do projeto, suas ações e matérias de interesse público. Na próxima edição ela inaugura uma seção sobre Comunicação voltada para projetos socioambientais.

Fonte: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=674&class=02

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Sobre Juliana Bulhões

Mestranda em Estudos da Mídia pela UFRN. @juliana_bulhoes
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