A vila como ela é

Por Cibelle Avelino

Estamos falando de um projeto – radiodocumetário que priorizou a voz do povo, o “Vozes da Vila”, único projeto potiguar aprovado no I Concurso de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos – Prêmio Roquette-Pinto da Arpub (Associação das Rádios Públicas do Brasil), que selecionou 40 projetos de todo Brasil, onde destes, apenas 13 são radiodocumetários.

A equipe à frente é composta pelas estudantes de Rádio e TV da UFRN Joanisa Prates e Ana Ferreira e pelo jornalista, também formado pela UFRN, Yuno Silva. Que embalam a história e o universo sociocultural da Vila de Ponta Negra em seis horas de programa, dividido em 12 episódios de 30 minutos cada. Numa perspectiva global e interdisciplinar, o Vozes passeia por diferentes áreas da região como pesca e surf (Homens ao Mar), educação, meio ambiente, urbanismo, turismo, gastronomia (Sabores da Vila), lendas, crenças, religião e artes. Tendo a narrativa como um elemento importantíssimo, foi com grande atenção que nossos colegas contextualiazaram os temas citados em formato de cordel, com o acento potiguar para encantar o ouvinte e com intervenções entre uma entrevista e outra também interpretada em versos, na voz do experiente ator, Rodrigo Bico. Fechando com a trilha sonora potiguar de Carlos Zens que encorpou o programa dando um clima regional.

O projeto já foi finalizado e entregue essa semana para a Arpub que irá redistribuir todos projetos nacionalmente entre suas rádios associadas, a diretora e produtora do Vozes, Joanisa Prates, torce para que possamos recebê-lo na cidade ainda esse ano. Fique ligado na Universitária FM! Conheça o Vozes: http://vozesdavila.blogspot.com/

Uma história de lutas em Ponta Negra

E se o Vozes da Vila é um sol que brilha hoje, é devido uma luta antiga liderada pelo jornalista Yuno Silva, que numa iniciativa sócio-ambiental cidadã deu inicio ao movimento “S.O.S Ponta Negra” em agosto de 2006 com o objetivo de apontar “visionários” projetos de construtoras que pretendiam levantar espigões colado ao nosso cartão postal, o Morro do Careca, patrimônio nacional protegido pela Constituição Federal.

Deste protesto nasceram os “Filhos de Ponta” e o “Amigos do Parque”, o primeiro composto por pessoas que estão à frente do Conselho Comunitário de Ponta Negra (abrange Conjunto e Vila), moradores que se reúnem para a discussão de assuntos como: construção da delegacia, ampliação de Escolas Municipais, Centro Comunitário Cultural, passeatas contra às drogas e etc… E os “Amigos do Parque” nascido de um súbido protesto no bairro de Capim Macio, quando cidadãos comuns impediram o corte de árvores da prefeitura que visava mais uma dessas drenagens à céu aberto que vemos em Natal. Do questionamento à obra a prefeitura acordou com os moradores de  que uma parcela desse terreno seria um parque para a comunidade. O primeiro parque de Capim Macio: http://parquedecapimmacio.blogspot.com/

O atrativo complexo Capim Macio – Conjunto Ponta Negra e Vila vem passando por profundas e aceleradas transformações urbanas num pequeno espaço de tempo, onde seus efeitos ainda são pouco assistidos ou bem pensados pelo Governo. Por isso o papel de fiscalizador dos moradores é fundamental. É preciso ser repassado que ideais como o de Yuno não se tratam de uma visão romântica, mas de participação social, mostrando que é possível mudar a realidade de onde se mora.

E é propondo desenvolvimento e progresso integrado que o S.O.S segue na ativa com questionamentos sobre o emissário submarino, poluição nas praias, saneamento básico, trânsito e falta de áreas públicas de lazer. http://sospontanegra.blogspot.com/

E o Yuno é nosso convidado no I encontro de Comunicação Comunitária e Alternativa da Região Metropolitana de Natal. Onde você tem oportunidade de conhecer esse e outros projetos!

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Sobre Polliana Araújo

Polliana Araújo é estudante de Jornalismo e inquieta. Nasceu em outubro de 1987 e de lá até aqui não conquistou prêmios, nem grandes quantias de dinheiro, nem fama. Mas também não quer. Só busca o suficiente para budegar com dignidade, ou seja, ter dinheiro sobrando para comprar livros e discos, ir ao cinema todo dia, dar uma vida melhor para a família e se filiar ao Greenpeace. Gosta de um bom papo de ônibus, lugar onde passa a maior parte do tempo. Se desdobra para contar uma boa história e, por isso, dizem que é bem expressiva, por causa dos gestos abertos e tagarelices. É insone, fica escrevendo pelas madrugadas, e idealista, pois dedica seu tempo, também, à preocupação com o funcionamento do mundo e a tentar melhorar as coisas do jeito que pode.
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