Mídia e hegemonia

Um das discussões mais recentes feita pelo nosso grupo de pesquisa foi através do texto “Contra-mídia-hegemônica” da Raquel Paiva.

No texto, Raquel aborda, inicialmente o conceito de hegemonia, que é vulgarmente conhecido como algo que vigora de maneira totalizadora e ditatorial. Já, o conceito definido pelo italiano Antonio Gramsci determina que hegemonia é:

“uma forma de poder caracterizada por uma postura totalizante, generalizada, mas que se dá com o consentimento ou aceitação dos demais.”

Portanto, para que se exista o hegemônico, é preciso ter aceitação, seja ela imposta sem livre escolha ou não. E a contra-hegemonia, o que seria? Seria a parcela que não aceita a hegemonia? Sim, mas não no sentido de substituição de poderes. O contra-hegemônico é apenas oposição, ele não busca o lugar do que é hegemônico. Aquele que deseja o poder seria chamado de pró-hegemônico.

Nesse ponto, entram as emissoras comunitárias, piratas e alternativas. O esforço conceitual dessas emissoras representa o que Raquel Paiva chama de contra-hegemônico.

“O papel fundamental de uma movimentação contra-hegemônica é o de fazer pensar, o de propiciar novas formas de reflexão, com o objetivo precípuo e final de libertar as consciências. Se as bases são diferentes dessas, certamente os propósitos são outros. E, então, a ‘pró-hegemonia’ torna-se o objetivo maior.”

A partir dos conceitos, Raquel fala um pouco da história das rádios comunitárias do Brasil, atentando para o fato de que, muitas das rádios hoje em dia não disputam mais ideias, e sim publicidade. Portanto, é preciso ficar atento ao que pregam essas emissoras de rádio, o fato delas parecerem contra-hegemônicas não significa que sejam.

É preciso, então, não ficar preso aos significados dos temos hegemonia e contra-hegemonia. Faz-se necessário analisar o contexto social em que as mídias se inserem para determinar o que elas são e a qual grupo social pertencem.

Referência:
COUTINHO, Eduardo Granka. Comunicação e contra-hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2008.

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Sobre Polliana Araújo

Polliana Araújo é estudante de Jornalismo e inquieta. Nasceu em outubro de 1987 e de lá até aqui não conquistou prêmios, nem grandes quantias de dinheiro, nem fama. Mas também não quer. Só busca o suficiente para budegar com dignidade, ou seja, ter dinheiro sobrando para comprar livros e discos, ir ao cinema todo dia, dar uma vida melhor para a família e se filiar ao Greenpeace. Gosta de um bom papo de ônibus, lugar onde passa a maior parte do tempo. Se desdobra para contar uma boa história e, por isso, dizem que é bem expressiva, por causa dos gestos abertos e tagarelices. É insone, fica escrevendo pelas madrugadas, e idealista, pois dedica seu tempo, também, à preocupação com o funcionamento do mundo e a tentar melhorar as coisas do jeito que pode.
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