Comunicação e Juventude: questões para a cidadania e o desenvolvimento regional

No auditório do bloco H, da Universidade de Caxias do Sul, os grupos de pesquisa Comunicação para a Cidadania e Comunicação e Desenvolvimento Regional realizam sessão conjunta com tema “Comunicação e Juventude: questões para a cidadania e o desenvolvimento regional”. A primeira fala é do professor Alexandre Almeida Barbalho (UECE) sobre um balanço dos papers apresentados no GP Comunicação para a Cidadania sobre o tema juventude. O autor faz o levantamento sobre os trabalhos que tem como foco central a juventude e abordagens que tratam dos meios, dos processos comunicativos em que o tema da juventude ganha destaque. Trata-se de um trabalho interessante por fazer um mapa sobre a interface entre juventude e cidadania, cujo resultado poderá ser discutido por pesquisadores voltados a esta convergência. Barbalho, entre outras proposições, destaca a idéia de juventude como “minoria”, inspirado em Muniz Sodré.

Cláudia Regina Lahni (UFJF) abordou a participação dos jovens na realização da primeira conferência de Comunicação de Juiz de Fora (MG), que teve o envolvimento de diferentes esferas da sociedade local. Em relação à presença e o envolvimento de jovens na Conferência, Claudia aponta que a participação se deu, principalmente representada pelos envolvidos com o projeto Comunicação para a Cidadania. Conclui, então, “a importância da educomunicação para o estímulo à participação dos jovens nas instâncias e processos decisórios presentes na esfera pública”.

O prof. Juciano de Sousa Lacerda (UFRN) apontou em sua pesquisa a presença da “conversação digital” como prática significativa diantes de outras formas de uso dos telecentros dos projetos Paranavegar (Governo do Estado do Paraná) e Faróis do Saber (Prefeitura Municipal de Curitiba). As interações conversacionais via orkut, msn e outros dispositivos se destacam diante de outras práticas, que seriam esperada pelos gestores de inclusão digital. E mesmo que regras de uso limitem a possibilidade de trocas entre os internautas dentro dos telecentros, “é no jogo com as regras, durante a interação, que se torna possível o fortalecimento dos vínculos entre os internautas na ambiência física do telecentro”. Ou seja, é contradizendo as regras dos projetos que os jovens, adolescentes e crianças, de fato, constroem distintos processos de sociabilidade.

Maria Salett Tauk Santos (UFRPE) destacou sua investigação com jovens moradores da zona rural de Pernambuco e os usos e apropriações que fazem dos programas de inclusão digital locais. A autora problematiza que os formatos dos programas de inclusão digital não levam em conta as práticas de consumo e o imaginário da juventude rural, além dos processos de avaliação não darem conta dessa problemática.

Luiz Custódio da Silva (UEPB) apresentou projeto em que busca desenvolver o protagonismo juvenil na produção de programas radiofônicos voltados para emissoras de rádios comunitárias, no interior da Paraíba. As dinâmicas são desenvolvidas através de oficinas, palestras, exibição e debate de filmes, análise de textos e produção radiofônicas em diversos formatos e gêneros. Já foram realizadas 20 oficinas no projeto.

Maria das Graças Andrade Ataide de Almeida (UFRPE) desenvolveu sua fala sobre como a mudança dos processos de produção local e as ações e o imaginário construído pela juventude diante das condições de ser sujeito na sociedade. “Desta forma, onde fica o desenvolvimento local com o retorno das práticas de migração da zona rural para os grandes centros urbanos?”, questionou a profa. Maria das Graças.

Na sequência, foi aberto o espaço para o debate com os participantes. Cerca de 60 pessoas participaram do evento. Uma das questões levantadas foi sobre o que seriam hoje as minorias em termos de acesso aos meios de comunicação. Profa. Patrícia Saldanha (UFF) comentou semelhanças de sua pesquisa de doutorado no Rio de Janeiro, demonstrando como a experiência da cidade de Piraí, no RJ, tinha uma articulação com a vida e a cidadania do município. Inclusive com a juventude acompanhando as ações dos vereadores e cobrando o cumprimento de suas promessas eleitorais. Quando isso não acontecia, organizavam panelaços, via internet, na frente da casa do vereador.

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Sobre Juciano Lacerda

Juciano de Sousa Lacerda é professor do Curso de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia da UFRN. Coordena o LAPECCOS - Laboratório de Pesquisa e Estudos em Comunicação Comunitária e Saúde Coletiva. É membro fundador do INPECC - Instituto Nacional de Pesquisa em Comunicação Comunitária (LECC-UFRJ/LAPECCOS-UFRN/LACCOPS-UFF). Integra os Grupos de Pesquisa PRAGMA/UFRN e Processocom/Unisinos. É membro do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC-UFRN). É pesquisador da Rede Amlat (Brasil/Venezuela/Equador/Argentina). É Vice-Coordenador do GP Comunicação e Cidadania da Compós (2017-2018). Foi Coordenador do GP Comunicação para a Cidadania da INTERCOM (2013-14).
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